Quando o propósito chama, é hora de seguir

Aos 22 anosMarlon Amorim, natural de Rio Grande (RS), vive um dos momentos mais simbólicos de sua trajetória. A cidade onde tudo começou agora se torna cenário de despedida. Ele encerra um ciclo importante da sua vida profissional e pessoal e dá início a um novo passo, que prefere não revelar ainda.

A relação com Rio Grande é profunda. Foi ali que surgiram as primeiras oportunidades na fotografia esportiva, em um cenário ainda limitado, com poucos profissionais atuando. Com o tempo, o mercado local cresceu, abriu espaço para novos nomes e fortaleceu uma nova geração que hoje movimenta a cena esportiva da cidade.

Mesmo jovem, Marlon acredita carregar uma bagagem construída com esforço, responsabilidade e propósito. “Aprendi que fazer a coisa certa traz retorno. Nem sempre imediato, mas verdadeiro”, afirma. Para ele, uma de suas maiores conquistas como ser humano é conseguir motivar outras pessoas a seguirem caminhos corretos, dentro e fora da profissão. “Quando consigo incentivar alguém a fazer o bem, isso já vale muito.”

Conhecido pela dedicação extrema, Marlon se define como alguém que trabalha muito e não tem medo de se arriscar. A inquietação faz parte da sua essência. “Eu gosto de pensar sempre no próximo passo. Me perguntar o que posso fazer para melhorar, o que posso aprender e o que preciso fazer para chegar onde eu quero”, explica. Para ele, crescimento exige movimento, mesmo quando envolve medo.

A fotografia surgiu a partir de um antigo sonho de estar nos estádios. Se não foi como atleta, veio através da lente. Com o tempo, o que começou como profissão se transformou em algo maior. “A fotografia nunca foi um sonho, sempre foi um propósito”, afirma. Esse propósito ficou ainda mais claro quando percebeu que sua história também incentivava outras pessoas, muitas vezes trabalhando com equipamento básico, mas sustentadas por fé, disciplina e histórias de superação.

Dentro de campo, o foco vai além da técnica. “Enquanto estou fotografando, me preocupo em valorizar a imagem do atleta e trazer a emoção do esporte. É sempre especial quando a foto se destaca, quando as pessoas gostam e, principalmente, quando quem foi fotografado se reconhece naquela imagem”, diz. Para Marlon, cada registro carrega responsabilidade emocional.

Ele também destaca que existe muito fora do enquadramento. “Chuva, pressão, cansaço, risco com equipamento… tudo isso faz parte do processo. Essas situações também constroem quem a gente é.”

A decisão de encerrar esse ciclo vem acompanhada de sentimentos difíceis. Para Marlon, o mais doloroso é entender que tudo é passageiro. “Os lugares mudam, as pessoas mudam, e a gente não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo”, reflete. Viver em movimento significa seguir o próprio caminho enquanto a vida continua acontecendo com pessoas e lugares que se ama.

Na fotografia esportiva, a instabilidade faz parte da profissão. O trabalho depende diretamente da realização de eventos. “Se não tem evento, não tem trabalho. Não é como um emprego tradicional”, explica. Experiências fora da cidade reforçaram a importância de buscar ambientes com mais oportunidades, referências e possibilidades de crescimento.

Sobre o futuro, Marlon prefere cautela. Não revela detalhes, mas deixa claro o que espera encontrar. “Espero mais oportunidades e conseguir me encaixar ainda mais no meu propósito. Entender o processo e ficar o tempo que for necessário.” Para ele, a mudança sempre vem acompanhada de medo, mas também de consciência. “O medo muitas vezes vem da zona de conforto. A gente acha que precisa esperar o melhor momento, quando talvez aquele já seja o momento.”

“Eu sonho grande, tenho metas grandes e trabalho para realizar”, diz. Seu foco está no presente. “A única coisa que me interessa é o hoje. O amanhã não me pertence e eu não tenho controle. Tudo o que depende de mim, eu faço. Aquilo que depende de outras pessoas, eu não controlo. E tá tudo bem.”

Assim como a própria vida, Marlon afirma ter aprendido que, em alguns momentos, é preciso renunciar. “Às vezes a gente precisa abrir mão de cargos, lugares ou funções. Não porque a gente não é bom, mas porque aquilo já não está alinhado com a nossa essência. Talvez seja apenas a vez de outra pessoa brilhar naquele papel que a gente achava que era nosso.”

Ao se despedir de Rio Grande, o sentimento predominante é a gratidão. “Sou eternamente grato às pessoas que conheci aqui e às oportunidades que tive. Se não fosse por elas, eu não conseguiria dar os próximos passos.” Ele também deixa um recado para quem já acompanha seu trabalho: que sigam presentes, porque ainda há muito por vir.

Mesmo indo embora próximo à data de seu aniversário, Marlon reforça que não enxerga a vida a partir de datas específicas. “Pra mim, todos os dias são dias de celebrar a vida”, afirma. Esse pensamento se reflete também na forma como se relaciona com as pessoas. “Eu valorizo a presença, demonstro carinho e faço questão de não deixar dúvidas.”

Para ele, a celebração verdadeira acontece no cotidiano. “Se as pessoas olhassem mais a fundo e pensassem assim, muita coisa seria diferente. Celebrar a vida vai muito além de uma data usada como status. Está no dia a dia, nas atitudes, na presença e, principalmente, na gratidão.”

Mensagem para quem está no caminho

Se pudesse incentivar alguém que está começando ou enfrentando dificuldades, Marlon não hesita: “Tenham fé”. Ele reconhece que nem sempre é fácil manter constância, especialmente quando é preciso recomeçar ou mudar de rota. “Por tudo que eu passei, eu diria para as pessoas terem muita fé em tudo aquilo que forem fazer. A fé me move, a fé me guia e a fé me protege.”

Encerrando um ciclo, mas sem fechar caminhos, Marlon Amorim segue consciente de que cada despedida constrói o próximo passo mesmo quando ele ainda não é anunciado.

📲 Instagram: @amorinafoto

JORNAL RIO GRANDE DO SUL

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